"...lágrimas lavam os olhos e o sangue lava a alma..." (the traveller)
Nome: the traveller
Idade:----
Onde Mora:----
Gosta de escrever, ler e contar histórias sobre suas viajens. Já escreveu diversos livros, é um bom conselheiro mas nunca um bom amigo... ele pode ver sua alma através de seus olhos.
20/02/2005 a 26/02/2005
06/02/2005 a 12/02/2005
09/01/2005 a 15/01/2005
12/12/2004 a 18/12/2004
14/11/2004 a 20/11/2004
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02/05/2004 a 08/05/2004
25/04/2004 a 01/05/2004


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tales of the traveller


Caverna das Lágrimas - Escrito em - 12/02/05
 
Sejamos mais claros.
Não como a dias talvez mais. Uma coisa é fato, quando você anda sem rumo o primeiro sinal
de desepero vem quando você perde a noção dos dias e das horas. Você começa as e guiar pelos
hábitos dos animais: um canto ao amanhecer, movimentos dos bichos ao anoitecer; ou durante um
acasalamneto que ocorre sempre na mesma época do ano.
O que restou de mim depois de todo esse tempo?? O que me tornei depois de todas essas viajens, ou seria apenas uma viajem??Uma louca e alucinante jornada pelos caminhos do meu próprio osbcuro. Sei que não fiz tudo o que podia mas sei que não explorei o lado mais negro de minha alma.
As formigas se movimentam depressa. Sinal de chuva. Sinal de que preciso arrumar um campo aberto e abrir os braços para saldar as nuvens puras que trazem de volta as lembranças e toda aquela angústia que a muito pensei ter abandonado.
Não sei aonde estou já ha muito tempo. Não sei para aonde irei mas sei que os devaneios carregados de ódio irão me perturbar aonde quer que minha conciência esteja. Preciso encontrar minha sombra e foi motivado desse desejo desesperado que certa vez encontrei um duende. Suas roupas eram precárias mas as minhas estavam em estado lastimável demais para que eu as oferece a ele. Seus pés eram finos e seu corpo mal atingia meio metro de altura. Seu cabelo era de um castanho tão forte que podia se confudir com terra. E ele podia ver minha alma através dos meus olhos e numa dessas tentativas ele descobriu que minha alma havia sido roubada e que por isso eu estava perdido dentro de meus prórpios pensamentos. Relatei a "Noite das Luzes" à ele e quase que instataneamente mal deixando que eu terminasse de falar ele gritou: - " É isso!! Sua sombra despertou e sequestrou sua alma. Mas... sua conciência mora junto com sua própria sombra e..."
Sim, minha conciência havia sido roubada. Eu não sabia aonde estava e não sabia o que fazer. E esse duende me indicou o caminho e fui sem pestanejar. Andei por dias, talvez mais.Uma coisa é fato, quando você anda sem rumo o primeiro sinal de desepero vem quando você perde a noção dos dias e das horas e finalmente cheguei na Caverna das Lágrimas.
Eu não queria entrar ali. Alguma força dentro de mim segurava meus pés, uma espécie de medo incontrolável me fez ficar olhando para o céu a procura de alguma resposta, alguma força que já não mais existia em mim.
Não sei ao certo o quanto tempo fiquei ali até que me levantei e entrei.
Vagarosamente meus passos ecoavam por todo o lugar, mal podia enxergar até que uma luz zo meu lado se acendeu. Estranhamente ela flutuava e me acompanhava a cada curva, a cada buraco que me enfiava. Estava totalmente perdido!
Comecei a chorar incontrolávelmente. E lembrei de um passado onde tudo era rosas. Onde jardins com casais ocupavam um lugar que não era meu.
Lágrimas escorriam e lavavam as pedras abaixo de mim.
Comecei a chorar desesperadamente. E lembrei de um tempo em que um perfume doce e cativante dominava todas as forças que me faziam agir. Sim, eu tinha a verdeira musa inspiradora.
Lágrimas escorriam e lavavam as pedras abaixo de mim.
Andei mais alguns metros mas não sabia mais o que procurava e comecei a chorar melancolicamente. Lembrei
de quando meu corpo perdeu todas as forças por causa da vida. Por causa da sinceridade. Seria o passado antigo? O que seria todo aquele amor que um dia foi roubado e levado para uma caverna tão longinqua que nehum homem jamais poderia chegar.
O chão estava limpo.
O caminho estava traçado e com lágrimas lavei meu passado e clariei meu futuro. Lembrei o que estava fazendo ali e com apenas uma palavra minha sombra devolveu minha alma.
Olhei para ela acuada em um canto sem ser capaz de se mover. Eu sabia que ela era minha consiência e eu havia a machucado tanto que não conseguiria me enganar novamente.
Apenas com um gesto descobri que eu não poderia tê-la de volta daquela forma e sim ela teria que voltar por conta prórpia, por sua vontade e dor.
Mas eu não estava preparado.
De alma nova encontrei a saída e voltei a seguir meu caminho. Tudo está mais calmo mas ainda não me lembro de ter acordado da última noite de sono. Não me lembro de ter vivído. Não me lembro de ter caído.
Apenas me lembro de ter chorado e que minhas lágrimas purificaram todos meus pensamentos.


 Escrito por the traveller às 18h00
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Escrito em 12/01/05

 
Porque insisto em fazer comentário sobre o passado ou mesmo sobre o o presente do mundo?
Se escolhi o caminho da solidão porque as pessoas me perseguem tanto?
Eu estou sozinho e posso enfrentar a noite. A água turva cai sobre as rochas e nessa cachoeira eu lavo todo o meu desespero. Mais uma vez estou aos prantos e essas lágrimas são para a morte. Mas trágica ajuda reflete minha prórpia dor ao ponto que desejas a outro ser o que não desejo a mim mesmo. Devo destruir a barreira da vida, essa parede que nos separa. Não se faça resistente!
Eu sofro ao ver a luz. Eu sofro ao senitr de volta minha sombra. Ela não pode voltar a me perturbar.
A escuridão é meu anjo e veio me salvar.
A dor é meu anjo e veio fazer tudo dar certo.
A escuridão é meu anjo e veio me salvar.
Aqui dentro é frio e bastante molhado. Minha porta respinga sobre minha face refletida na poça que se forma abaixo de minhas víceras. Não sei o que farei com esse sentimento dentro de mim. Não sei lutar contra isso.
Sim, ele eh verdadeiramente solitário!!
Sem a noite eu nada sou além de um pedinte vagabundo.
Sem a morte sou um louco sem destino.
Recolho meus músculos a tal ponto que mal posso respirar. Sinto o calor da vida aquecer meus prantos mas
o que posso fazer? Estou dormindo nesta cama sozinho, esse é meu trajeto, essa é minha escolha, essa é minha dívida.
A razão da vida?
A razão da morte?
Razão?
Meu grito vem com tamanha força que minha cabeça explode sem parar. Minhas forças se expiram e caio
sobre a rocha como um pedra solta ao ar.
Façam silêncio. Deixem-me domir.


 Escrito por the traveller às 18h20
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Folhas - Escrito em 26/11/04

 
As folhas secas machucam minha pele. Ainda lembro da época em que a pureza estava presente em mim, lembro de quando olhos doces saciavam minha solidão, de quando abraços alimentavam com carinho minha fome de amor. Não aprovoveitei nada do que foi me dado, agora vago sozinho por essa mata sombria e gelada.
Desculpas enferrujadas maltrataram minha alma, fizeram com que eu sofresse mais do que estava preparado. Senti toda culpa do mundo sobrecarregar meu ombros e cai.
Cometi atos desprezíveis mas explicáveis. Arrastei-me por horas, por dias e o tempo lutava contra mim.
Perdoe-me se acreditei em suas palavras. Perdoe-me se lhe falei a verdade e se tudo o que você um dia sentiu desaparecu como uma gota de orvalho jogada ao acaso.
Desvio a culpa sobre ti porque sei que não seria capaz de suportar meus próprios devaneios. Escurraço minhas lembranças rasgando minha carne para tentar punir todos meus atos.
Desprezíveis lembranças. Saudade que vem e destrói em um segundo tudo o que demorei séculos para contruir. Talvez não passassem apenas de folhas. Talvez não tenha usado terra ou mesmo pedras, fui covarde ou mesmo burro ao tentar enganar meus prórpios pesadelos.
E pra que escrever toda essa porcaria? Desabafar toda minha dúvida. Minha dor é algo que chamam de medo!
As malditas folhas secas ainda machucam minha pele. Ela pode me ver, a culpa pode me ver. A raiva pode me ver. O medo me percegue.
Tragam-me uma espada e uma pena. Tirem essas folhas de cima de mim.


The Traveller
"O ser é uma sucessão de seres."
http://thetraveller.zip.net

 Escrito por the traveller às 22h59
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Gotas de Acaso - escita em 25/11/04

O sono consumiu tanto meu corpo que eu já tinha perdido a noção do tempo. Não estava acostumado a ficar sozinho, sem ter com quem conversar ou mesmo olhar. A mata é minha única companhia agora e terei que me virar assim. Tento entender o que o velho sacerdote dizia quando reclamavamos sem saber o que diziamos, eu via muitas pessoa reclamarem de solidão em meio a uma multidão. Aqui eu não ouço nada. Não falo nada. Tudo que tenho a fazer é pensar.
Meu corpo esta cortado. O fiz para esquecer, mas toda vez que vejo esses malditos cortes me lembro do maldito desespero, do maldito instante em que me libertei.
Sociedade. Qual o significado de tudo issu? Qual a verdade por trás de todas as máscaras encapuzadas por todos?
Caribas e carrapatos! Cuencas e corruptos! Carambolas e caramujos! Onde estão meus senimentos? O que significa toda essa confusão dentro de mim?
Respostas. Queremos respostas.
Acho que as tenho. Somos o que queremos ser, ao menos que influenciarem nossos atos. Então somos o que eles querem que sejamos. Eles quem?
Somos o que somos e somente nós sabemos disso. Verdade que omitimos isso das mentes alheias, talvez seja proteção...
Não, talvez seja medo.
Mas medo de que? Não, não.  Acho que seja cautela, não é possivel que todos tenham medo de mostrar quem realmente são.
Ou sim. É, pode ser que sim. Sim, sim. Então somos uma sucessão de seres, Bernardo já dizia e agora eu talvez entenda.
Acho melhor voltar ao meu sono, essa conversa não esta me levando a nada.
- Porque você não se levanta e faz algo?
Que voz era aquela? Dessa vez não era minha maldita conciência, eu estava...
- Você não vai me responder?
Sim, era comigo. Tinha alguém falando comigo. Uma voz carregada, talvez de experiências, talvez de dor, talvez de dúvida, talvez de...
- Não adianta fingires que dorme.
Deveria eu abrir os olhos perante o inimigo? Não sabia quem era mas também não sabia aonde estava. Abri os olhos.
- Ah! Então você está realmente vivo. Quem é você pobre criatura?
Pés descalços, unhas carcomidas e cheias de terra. Um manto velho e sujo cobrindo seu corpo. Cabelos levemente grisalhos. Um rosto que outrora deve ter cido muito belo mas que o tempo e amargas experiências maltraram com dor e muitas lágrimas.
- Você não vai me responder?
Levantei vagarosamente olhando em seus olhos. Eles me fitavam e incitavam um certo medo.
- Insistes em continuar calado, então serei breve. Estou com fome, você por acaso teria algo para comer?
Levei minha mão ao bolso e lhe entreguei um pequeno pedaçõ de pão que me sobrara.
- Ah! É quieto mas compreensivo, isso é bom. Ás vezes falar demais pode nos trazer problemas. Você sabe aonde está?
Algo me chamou atenção em suas orelhas, pequenas pedras preciosas. Uma carregada maquiagem tomava-lhe a face e dava um ar de charme em sua alma.
- É, realmente você não irá me responder. Bem, você está nas minhas terras. Em breve meus cavaleiros irão lhe procurar e deves dizer que se encontrou com a princesa. A mais belas das mulheres a banhar-se no lago de águas cristalinas.
Sua face enrugou e seus olhos diminuíram. Algo estava errado. Virei-me e comecei a caminhar sem rumo novamente. Não demorou para que ela me seguisse.
- Aonde vai nobre peregrino?
Nobre peregrino? Ela não faz a mínima idéia de quem eu sou. Não faz a mínima idéia dos atos que cometi em minha vida. Se nem eu mesmo me conheço como pode ela me chamar de nobre?
- Se não me responde então irei segui-lo. Afinal, quem manda nessas terras sou eu e posso ir aonde bem entender.
Rapidamente ela passou a minha frente e fez sinal para que a seguisse. Ela realmente conhecia o lugar, seus passos eram firmes e sua voz me perturbava. Algo em sua alma transmitia medo e seu olhar fixo a mim mostrava que eu era a chave para seu desespero.
Vozes. Ela parou. Relinchos de cavalos. Reflexos de armas ofuscaram meus olhos. Barulhos. Tudo foi muito rápido, ouvi gritos e quando percebi havia uma dúzia de homens ao meu redor. A mulher estava sangrando e o pouco sangue em minha roupa parecia ser dela. Eles não perguntaram nada, apenas bateram em minhas pernas e começaram a me amarrar. Um deles disse que tinham encotrado o assassino da princesa, este parecia ser o líder da pequena tropa.
A mulher que me abordou na mata estava ao chão. Chorava sem parar e aos soluços tentava contar o que eu havia feito com ela. Dizia coisas absurdas e que com minhas próprias unhas havia dado fim a vida da princesa e agora iria acabar com a única testemunha.
O líder voltou a se pronunciar e defendia a mulher com todas suas forças. Eles estavam me levando. Anoiteceu.
Na parada um dos homens veio me oferecer comida, aceitei pois a dias meu estômago não era alimentado.  O soldado parecia triste e uma lágrima, apenas uma, escorreu por sua face. Retomei todo meu espírito e disse apenas a verdade: - Seu líder é cumplice na morte e a assassina usa os brincos que já pertenceram a princesa. Suponho que o corpo esteja no lago mais próximo e espero que suas lágrimas punam e vingem a morte de sua amada.
O homem parou olhou e dentro dos meu olhos. Chamou dois outros soldados e adentraram a floresta escura e sombria. Senti medo. Percebi que podia pagar por algo que não fiz. Mas eu merecia, eu mereço todas as punições do mundo. Mereço ser tratado como um animal. Por mais que eu me engane eu uso o coração dos outros para ajuda o meu.
Eles retornaram com o corpo da donzela real nos braços. Todos acordaram. Fui açoitado pelo líder e a mulher tentava explicar o que estava acontecendo. Perguntaram-me como eu sabia sobre o lago e eu disse apenas a verdade: - Soldado, você que entrou no lago. Olhe em suas botas. Está vendo pedaços de musgo. Agora olhe as botas de seu líder.
Realmente havia musgos em ambas as botas e a muher não consegui explicar como os brincos e a maquiagem da princesa tinham aparecido nela. O líder perdeu seu foco de liderança e acabei sendo levado ao rei para lhe explicar o caso. A verdade, por mais que seja dolorida deve ser ouvida.
"Liderança é o processo de exercer influência sobre um indivíduo ou um grupo, nos esforços para a realização de um objetivo, em determinada situação".


The Traveller
"O ser é uma sucessão de seres."
http://thetraveller.zip.net

 Escrito por the traveller às 22h57
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"Trilha de indecisão" - Escrita em 02/12

Numa manhã chuvosa encontrei uma nova trilha. Ela era estreita e cheia de lama mas me chamava a atenção.
O mato encobria metade do pouco espaço que tinha para se entrar nela. Exitei. Será que estava tomando o rumo certo?
Parei e olhei firmemente para ela. Parecia um poço de inseguraça e dúvida, de caos.
Mas eu sentia uma imensa vontade de me arriscar.
Não sei explicar o porque mas eu gostava daquela trilha.
Ela trouxe tamanha esperança que meu peito se encheu de vida e pude, depois de muito tempo, pensar sobre meu futuro.
Tudo era sombra e caos. O passado se misturava ao futuro e nada podia ser visto sobre meu destino.
Tudo era uma espessa nuvem de dor e sofrimento. Tudo era mágoa e arrependimento.
No livro dos sonhos a lama tem um significado para tomarmos cuidado com calúnias e que poderemos enfrentar dificuldades.
Seria esse caminho cheio de lama?
Vejo um caminho mais lípido e mais amigável. Sinto vontade de entrar e seguir de olhos fechados, quero me
guiar apenas pelo cheiro da paz e da absolvição.
Não quero me prender a dor. Quero esquecer as discordias e sofrimentos. Vou arriscar minha alma e entrar sem
medo num caminho que encontrei.
A chuva cai, meus ombros pesam. Minha cabeça molha e minha culpa destrói. Sou aquilo em que me transformei,
sou o modelo de liberdade social, não sei se sou o quero mas quero ser melhor do que sou.
Um passo. Apenas um passo e já estou em uma nova trilha, a caminho da esperança e da redenção.
Quem sabe eu encontro quem a muito se perdeu...

The Traveller
"O ser é uma sucessão de seres."
 


 Escrito por the traveller às 20h41
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"Gato dos Ingratos"

Minha vida tinha melhorado. Sim, eu estava melhor, só não
queria reconhecer isso.
Meus pés estavam bem calçados em lindas botas de couro. Minhas roupas tinham custado uma fortuna e todas as moças me olhavam. Caminhava todo imponente pelas ruas como se fosse dono delas. Frequêntava os melhores bares, e gastava tudo o que eu havia conseguido.
Mas mesmo assim e não me convencia da felicidade eu não me convencia que tudo estava melhor e melhorando mais. O que de mais precioso tinha eu perdi. O que de mais belo sorria para mim, se calou. Minha inspiração havia ido embora, eu não conseguia pensar, comer ou mesmo aproveitar toda a fartura que me era dada.
Certo dia vesti minha melhor roupa e fui atá o melhor restaurante da cidade, comi do bom e do melhor. Comi e bebi tudo o que tinha direito,
sentei-me a melhor mesa, e lá de cima podia ver os inferiores a mim olhando meu esbanjar de podridão.
Sim! Eu não era o que devia ser, eu não mereço tudo o que estão me dando. As pessoas só reconhecem meu bolso. Só reconhecem minha arrogância fatídica. O que vale um homem sem sua reputação?
Pro inferno todos os valores sociais. Pro maldito inferno todos os sonhos que todos querem alcançar.
Num momento de fúria e raiva minha inspiração voltou. Toda faceira e saltitante. Linda! Ela voltou com seus cabelo esvoaçantes e gotejando ódio.
A primeira coisa que vi depois disso foi a colher da maldita sopa de legumes que aqueles puxa-sacos tinham me trazido. Era capaz de eu matar um deles e ainda ser aplaudido. Como o ser humano é uma praga, como são todos frutos de suas próprias ambições.
Levantei-me. Meus passos eram fortes e algumas pessoas olhavam para mim. Atravessei o ambeinte e entrei na cozinha. Muito trabalho. Pessoas tentando ganhar a vida. Mas minha ispiração tinha voltado e algo precisava ser feito.Já do lado de fora a única arma que me restou ainda era a colher. Pois que os famintos comam e jamais notem o que fizeram...
Seus pelos eram macios, seu miado era fabuloso. Suas manchas claras davam um ar angelical ao lindo gatinho que estava em minhas mãos. Seus olhos não eram como os que Edgar tinha me descrito, mas me inspiravam a mesma fúria.A colher. A fúria. A sopa.
Arranquei os olhos do gato com minhas próprias mãos e coloquei-os na colher. O sangue ainda pingava e o pobrezinho ainda dava seus últimos miados. De volta a mesa de meu jantar coloquei os dois olhos dentro de minha sopa e ordenei que chamassem o gerente. Ele viu e ainda assim não acreditava, perguntei se duvidavas de minha palavra e sua resposta não me convenceu. Subitamente bati com seu rosto dentro do meu prato de sopa. Quase o afoguei. O chamei de chaninho e pedi para que miasse pois seus olhos eu arrancaria. Eu não, seus garçons o fariam.
As pessoas se lavantaram, algumas correram mas a maioria não acreditava que um homem rico como eu fosse capaz de tal ato.
Aos ingratos ofereci os olhos do tal gerente e tudo se calou. Ao fundo apenas um miado fraco era ouvido. E a senhorita mais famosa da cidade gritou que aquele era o miado de seu gatinho de estimação, o qual não havia valo no mundo que pagasse.
O gatinho entrou pela porta que vinha da cozinha e todos aprenderam a não confiar nas aparências.


 Escrito por the traveller às 18h53
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Orvalho que trouxe a morte

Orvalho
 
"Algum dia de sua vida já ouviu o som do orvalho caindo sobre as folhas? Como é suave, como é doce.Ele escorre por todo o corpo da árvores, das plantas. Ele escoa como a sombra fugindo da luz.
Mas então uma ave de asas plumadas e malditas se aproxima, a pobre gota de orvalho que surgiu com o frescor do amanhecer está totalmente indefesa. O pássaro maldito chega e se alimenta sem mesmo notar o que acaba de interromper. 
Como a vida é imperfeita. Sempre busco a paz e a felicidade, mas quanto mais as procuro menos as encontro.

Cada vez mais sou levado para o lado da escuridão, sou forçado a chorar e me entregar as garras sombrias da noite. 
Oh noite, é em ti que encontro o alívio para minha tortura. É em ti que escondo meu ódio da vida.
Debocham de mim. Riem de mim. Mas aqui eles não podem me ver. Digo que estou de volta, mas como pode isso se nunca fui embora?"


 Escrito por the traveller às 22h13
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...caminho para a solidão...

"Mapa da Solidão"

"  Depois de caminhar horasao leito do rio, me vi sozinho novamente. Meus pensamentos iam longe e sempre traziam uma imagem na lembrança. A imagem da mais bela das mulheres. Da mais tentadora. Da mais pecadora. Enfeitiçadora. Dominadora.Corrosiva e maléfica.
   Não suportei a dor que explodiu em meu peito, e não suportaria outra sessão de angústia e desespero. Minhas unhas entravam na terra. Se sujavam de sangue e cavavam uma pútrida cova.
   Depois de caminhar pelo medo e pelo desespero eu paro. Olho. Observo bem. E escolho. Um caminho escuro e sombrio, aonde as névoas infestam o trajeto. Aonde nem olhares famintos te trazem companhia... um caminho único e sagrado... o...  ...caminho para a solidão..." (the traveller, O gosto Amargo da Vida)

    Quando você acha que sua vida vai melhorar você recebe uma punhalada mais forte e profunda que a anterior. Obrigado por me fazer ser quem sou, se sofro por isso pelo menos eu sempre saberei aonde estou pisando e para onde vou caminhar.

 



 Escrito por the traveller às 09h23
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II cursed Hope II

Cursed Hope

Porque temos esperanças de que algo algum dia vai mudar? Porque achamos que alguma coisa, um dia vai melhoar? Dizem que é por causa da Esperença.

Mas quem é essa tal de Esperança?

"Minha vida estava sem rumo, estava perdida, sem amor ou mesmo dor. Me sentia um grosso e sólido bloco de depressão.Algo totalmente intransponível. Sabia que podia me levantar, sabia que teria outras oportunidades e que poderia aproveita-las mais do que as que tive no passado. Mas a tal da Esperança não me deixava seguir em frente. Ela definitivamente não morria! Ela me perturbava todos os dias, me assombrava com meu passado e adorava meu futuro. Ela machucou meu peito com muita força... mas não tinha rasgado meu coração.

Resolvi então ir atrás dessa tal de Esperança, e depois de anos vagando por florestas desconhecidas um dia acordei e vi um grande foco de luz a minha frente, algo muito forte que ofuscava minha vista. Machuva e fazia meus olhos sangrarem. Tomado por um desespero odioso levantei-me e desferi uma sanguinolenta e descontrolada machadada. A luz se apagou. Sangue jorrou. E eu estava sujo como um carrasco de mim mesmo.

Posso dizer que minha vida melhorou? Não sei o que dizer, mas sei que desse dia em diante procuro não ter esperança em nada e em ninguém. Creio que não a matei, pois como dizem: ' Ela é a última que morre ' " (the cursed traveller. O Gosto Amargo da vida).



 Escrito por the traveller às 10h40
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II to down II

 

"Torres do Lamento"

Depois  de mais um dia solitário (como nas últimas décadas) resolvi escrever algo, e com isso acho que sentir-me-ei melhor.

"(...)O lugar era sombrio e amedrontador, era como se todas as almas perdidas reunissem-se ali, mas então elas não seriam perdidas. É! Eu estava mesmo confuso! De tal maneira que nem me dei conta que estava adentrando a 'Torre do Lamento', passos lentos e nem um pouco cautelosos, as paredes carcomidas pelo tempo faziam me lembrar daqueles contos de masmorras e cemitérios. Embora eu não estivesse em um lugar tão diferente assim.

Não sei porque tento me fingir de tão nobre e tão culto. Não sou melhor do que ninguém, e muito menos sou pior. As névoas que me tiraram a paz foram, naquele dia, superiores a tudo o que já tinha visto. Creio que já passei por situações piores, mas naquela época eu era um garoto, um adolescente curioso, queria conhecer a vida, queria descobrir o mundo...  ...mas creio q fui pelo cminho errado...  ...e quando percebi, já era tarde.(...)" (the traveller, O Amargo gosto da vida , pag. 53. , 1ª Ed., São Paulo.)



 Escrito por the traveller às 16h49
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Welcome....

... my tales begin...

        Lembrança de Morrer

"Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nem uma lágrima
Em pálpebra demente

E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento;
Não quieto que uma nota de alegria
Se cale por meu triste pensamento

Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro
- Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;

Como o desterro de minha alma errante,
Onde fogo insensato a consumia
Só levo uma saudade - é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.

Só levo uma saudade - e dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas...
De ti, ó minha mãe! Pobre coitada
Que por minha tristeza te definhas!

De meu pai... de meus únicos amigos,
Poucos - bem poucos - e que não zombavam
Quando, em noites de febre endoidecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.

Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seiso treme ainda,
É pela virgem que sonhei... que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!

Só tu a mocidade sonhadora
Do pálido poeta deste flores...
Se viveu, foi por ti! e de esperança
De na vida gozar de teus amores.

Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo...
Ó minha virgem dos errantes sonhos.
Filha do céu, eu vou amar contigo!

Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida.
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
- foi poeta - sonhou - e amou na vida.

Sombras do vale, noites da montanha,
Que minha alma cantou e amava tanto,
Projetei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramei-lhe uma canto!

Mas quando preludia ave d aurora
E quando à meia-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abria os ramos...
Deixai a lua pratear-me a lousa! "

(Álvares de Azevedo)



 Escrito por the traveller às 09h41
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